Friday, November 03, 2006

O CARNAVAL DA BANCA

Foi na década de oitenta, essencialmente, que em Portugal, a Banca se decidiu a acelerar a concessão de crédito. Para tudo. Desde a habitação, à agricultura, às pescas até ao consumo. De tudo. Do frigorífico ao ao mafioso automóvel...Antes, era o deserto. Quem recorresse ao banco, eram só dificuldades. Para a compra de um vulgar automóvel a prestações, por exemplo, sem estar agora com pretensões de exactidão, porque não as sei ao certo, o empréstimo por desconto de livrança, e a amortização teria de acontecer em meia dúzia de meses. Depois, com o macro-fenómeno, multifacetado, da CEE, foi um fartar vilanagem. Abriram-se as comportas. Inverteu-se o sentido. Foi a era da Banca formigueira. Dotou-se dum exército de angariadores e começou a farejar o capital, por todos os cantos. E, na voragem da concorrência, inventou sendas e sendas enredadas, das mais engenhosas, primeiro para atrair clientela. Depois, a cultura e arte do estrugido, no segredo inacessível da cozinha...Objectivo: Quanto mais lucros...melhor. Foi ver a Banca a engordar, engordar...e o Zé Povinho a esturricar de dívidas....Cada dia, um banco novo e uma banqueta em cada esquina...veja-se os milhões de lucros sempre em crescendo, de ano para ano, na razão inversa da crise...
Metedologia: taxas e mais taxas, comissões disto e de tudo...spreads e juros, pra baixo e pra cima...e claro, os arredondamentos!...migalhinha aqui, migalhona acolá...como o ribeiro pela escarpa abaixo, lá da serra até ao mar. ..

Então, mas não há quem tenha a tarefa de controlar? Além do Governo? Para que serve o Banco de Portugal? A "bernarda2 dos arredondamentos ilegais e abusivos rebentou em 2002, ali ao lado, despoletada pela Sociedade Civil. Foi um estrondo! E, ninguém ouviu do lado de cá?
Só agora, 4 anos depois, é que estoirou aqui, antes mesmo do carnaval...