Friday, April 20, 2007

Tenho um Portugal
como não quero!...


Somos só
dez milhões de sócios,
neste rectângulo,
de terra,
pequenino.

A herança
que nos tocou!...

Temos horta
e pomar.
Temos mar.

Temos serra,
campo
e um jardim...

Temos água,
pura
e fresca,
para beber
e p´ra regar.

Vinhedos ricos,
coloridos,
bem guardados,
em segredo...

A profundidade imensa
dum céu azul,
onde reina o sol
e as noites
de luar...

A Natureza-Mãe
já nos provou
o seu favor!...

Temos graça,
temos honra.
Temos raça,
abundante,
a correr nas veias...

Fulgor de luzes,
muita arte,
muito engenho...

Dá p'ra nós...
até dá p'ra emprestar
a quem tudo pode,
mas não tem!...


Com tudo isto,
vejo triste
um Portugal
que não é
o que eu desejo!...

O que eu vejo
é pouca gente
alegre
e muita,
muito triste!...

Thursday, April 19, 2007

Os perús


Um bando inesgotável de perús
abateu em Portugal!

Como abutres negros,
tomaram conta dos poderes:

na praça pública,
na terra benta,
e,
até, no
palácio ducal!...

Donde veio
a estranha praga?...

Só cantam.
Noite e dia.
E muito mal.

Só pensam
no grão de bico
pró seu pandeiro...

Toda a gente
está farta deles.

Ninguém os espanta
do seu poleiro...

Têm cores diferentes.
mas exibem a mesma penca.
Grasnam do mesmo jeito.
Sempre em seu proveito.

Grande praga
de abutres,
com penas
de perús!?

Monday, April 02, 2007

CAPOEIRA



Kó-Kó-ró-kó!
ki-ki-ri-ki!

Tudo à mistura,
Tudo à porfia,
sem verdade,
sem rigor,
sem vergonha,

nas cadeiras
desta jovem
democracia!...


Nos aparelhos escuros
dos partidos,
há claques cegas
ao redor
dum presidente
qualquer
e sem fulgor!...

Na assembleia magna
há solistas,
roucos,
de coros,
loucos,
coloridos,
sem chama,
sem ouvido,
e sem sabor...

Nos vistosos
campanários
dos ministérios,

tocam sinos
e sinetas,
ao despique,
de bronze falso
e sem badalo...

Lá nas alturas,
presidenciais,
já há muito,
não brilha o sol,
só há nuvens
pardacentas.

Não cantam galos,
pela madrugada,
não há auroras
matinais,
que ponham ordem
nesta política
de capoeira...

Tanto prégador,
sem eira
nem beira!...

Que democracia
apátrida
e sem valor,
só de bombos
e tambores!...

Kó-Kó-ró-kó!
ki-ki-ri-ki!

A rebate...
Ao desafio!...

Ó Senhores,
a valer,
da madrugada!

Oa da política,
com valores!
Desta Pátria,
Nobre!
Antiga!...

É vossa a hora
de cantar!
Faz-se tarde!
Está na hora!
...