Tenho um Portugal
como não quero!...
Somos só
dez milhões de sócios,
neste rectângulo,
de terra,
pequenino.
A herança
que nos tocou!...
Temos horta
e pomar.
Temos mar.
Temos serra,
campo
e um jardim...
Temos água,
pura
e fresca,
para beber
e p´ra regar.
Vinhedos ricos,
coloridos,
bem guardados,
em segredo...
A profundidade imensa
dum céu azul,
onde reina o sol
e as noites
de luar...
A Natureza-Mãe
já nos provou
o seu favor!...
Temos graça,
temos honra.
Temos raça,
abundante,
a correr nas veias...
Fulgor de luzes,
muita arte,
muito engenho...
Dá p'ra nós...
até dá p'ra emprestar
a quem tudo pode,
mas não tem!...
Com tudo isto,
vejo triste
um Portugal
que não é
o que eu desejo!...
O que eu vejo
é pouca gente
alegre
e muita,
muito triste!...
Friday, April 20, 2007
Thursday, April 19, 2007
Os perús
Um bando inesgotável de perús
abateu em Portugal!
Como abutres negros,
tomaram conta dos poderes:
na praça pública,
na terra benta,
e,
até, no
palácio ducal!...
Donde veio
a estranha praga?...
Só cantam.
Noite e dia.
E muito mal.
Só pensam
no grão de bico
pró seu pandeiro...
Toda a gente
está farta deles.
Ninguém os espanta
do seu poleiro...
Têm cores diferentes.
mas exibem a mesma penca.
Grasnam do mesmo jeito.
Sempre em seu proveito.
Grande praga
de abutres,
com penas
de perús!?
Um bando inesgotável de perús
abateu em Portugal!
Como abutres negros,
tomaram conta dos poderes:
na praça pública,
na terra benta,
e,
até, no
palácio ducal!...
Donde veio
a estranha praga?...
Só cantam.
Noite e dia.
E muito mal.
Só pensam
no grão de bico
pró seu pandeiro...
Toda a gente
está farta deles.
Ninguém os espanta
do seu poleiro...
Têm cores diferentes.
mas exibem a mesma penca.
Grasnam do mesmo jeito.
Sempre em seu proveito.
Grande praga
de abutres,
com penas
de perús!?
Monday, April 02, 2007
CAPOEIRA
Kó-Kó-ró-kó!
ki-ki-ri-ki!
Tudo à mistura,
Tudo à porfia,
sem verdade,
sem rigor,
sem vergonha,
nas cadeiras
desta jovem
democracia!...
Nos aparelhos escuros
dos partidos,
há claques cegas
ao redor
dum presidente
qualquer
e sem fulgor!...
Na assembleia magna
há solistas,
roucos,
de coros,
loucos,
coloridos,
sem chama,
sem ouvido,
e sem sabor...
Nos vistosos
campanários
dos ministérios,
tocam sinos
e sinetas,
ao despique,
de bronze falso
e sem badalo...
Lá nas alturas,
presidenciais,
já há muito,
não brilha o sol,
só há nuvens
pardacentas.
Não cantam galos,
pela madrugada,
não há auroras
matinais,
que ponham ordem
nesta política
de capoeira...
Tanto prégador,
sem eira
nem beira!...
Que democracia
apátrida
e sem valor,
só de bombos
e tambores!...
Kó-Kó-ró-kó!
ki-ki-ri-ki!
A rebate...
Ao desafio!...
Ó Senhores,
a valer,
da madrugada!
Oa da política,
com valores!
Desta Pátria,
Nobre!
Antiga!...
É vossa a hora
de cantar!
Faz-se tarde!
Está na hora!
...
Kó-Kó-ró-kó!
ki-ki-ri-ki!
Tudo à mistura,
Tudo à porfia,
sem verdade,
sem rigor,
sem vergonha,
nas cadeiras
desta jovem
democracia!...
Nos aparelhos escuros
dos partidos,
há claques cegas
ao redor
dum presidente
qualquer
e sem fulgor!...
Na assembleia magna
há solistas,
roucos,
de coros,
loucos,
coloridos,
sem chama,
sem ouvido,
e sem sabor...
Nos vistosos
campanários
dos ministérios,
tocam sinos
e sinetas,
ao despique,
de bronze falso
e sem badalo...
Lá nas alturas,
presidenciais,
já há muito,
não brilha o sol,
só há nuvens
pardacentas.
Não cantam galos,
pela madrugada,
não há auroras
matinais,
que ponham ordem
nesta política
de capoeira...
Tanto prégador,
sem eira
nem beira!...
Que democracia
apátrida
e sem valor,
só de bombos
e tambores!...
Kó-Kó-ró-kó!
ki-ki-ri-ki!
A rebate...
Ao desafio!...
Ó Senhores,
a valer,
da madrugada!
Oa da política,
com valores!
Desta Pátria,
Nobre!
Antiga!...
É vossa a hora
de cantar!
Faz-se tarde!
Está na hora!
...
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