Sábado de manhã...
Manhã de Sábado. Desço à rua. Vou ao café da esquina, em Santo António da Caparica. Abro o jornal do costume, enquanto o empregado - já me conhece, desde solteiro,- começa a tirar-me a bica, cheia, e traz um queque.
Se estivesse só o velhote - sempre de trombas - não sei se são alguma coisa um ao outro, eu bem podia esperar. Até ao almoço.
Estamos no fim de Setembro. Já corre um ar fresco. Quase frio. E eu estou de manga curta.
As mesas cá fora estão quase cheias. Vizinhos como eu. Desfiam, folha a folha, as últimas do jornal. Atrás de mim, dois indivíduos falam, falam, melhor, só um é que fala, monocórdico sobre banalidades do dia a dia ou do que já passou. Um herói. Pela conversa , só a sua cabeça funciona em condições.
Numa das mesas do varandim, estão duas maduronas, pintalgadas. O perfume já aqui me deu. Falam, falam, ambas ao mesmo tempo. Não sei como é possível entenderem-se. Falam de saldos e das botas altas que já compraram...
Ah! O velhote já chegou. Ele mesmo vem limpar-lhes a mesa
- Que desejam tomar as Senhoras?...(Velho da Horta!...)
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