Wednesday, April 03, 2013


Como será o fim do mundo…

 

Abro meus olhos embaciados, ao acordar.  

Vou à janela.

Só vejo nevoeiro branco,

Como baforada do mar

A arder em labareda.

 

Não oiço pássaros

Nem sequer gaivotas.

Como sempre.

 

Só o marulhar das ondas

Em rebentação gritante.

 

Estou atónito.

Não se vê viv’alma a passar na rua.  

Estão cerradas as portas e janelas

Das casas em meu redor.

Parece que todo ser vivo fugiu daqui,

Em silenciosa debandada.

Acossado por piratas.

 

E  eu aqui só…

Como um perdido no deserto.

 

Que me valem tantas estantes

A abarrotar de livros e revistas. Mudos.

Minha aparelhagem stéreo,

Último grito da tecnologia…

As resmas de discos vinil,

Que acabaram por ser sempre os mesmos….

E as de papel de máquina

Para neles derramar meus versos…

E minhas lendas fantasmagóricas…

Que ninguém lê…

Sem tv nem telemóvel…

 

Meu frigorífico vai aquecer,

Com falta da corrente eléctrica.

E, vai fora grande parte da comida

Que lá tenho dentro.

 

Sinto medo de sair à rua.

Nada mexe.

Não há carros nem ambulâncias.

 

Ainda ontem,

Tudo, à volta,

Remexia em alvoroço.

 

Bastou uma noite …

E cheguei ao fim do mundo…

 

 

Mafra, 4 de Abril  de 2013

7h46m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

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