Como será o fim
do mundo…
Abro meus olhos
embaciados, ao acordar.
Vou à janela.
Só vejo nevoeiro
branco,
Como baforada do
mar
A arder em labareda.
Não oiço pássaros
Nem sequer
gaivotas.
Como sempre.
Só o marulhar das
ondas
Em rebentação
gritante.
Estou atónito.
Não se vê viv’alma
a passar na rua.
Estão cerradas as
portas e janelas
Das casas em meu
redor.
Parece que todo
ser vivo fugiu daqui,
Em silenciosa debandada.
Acossado por
piratas.
E eu aqui só…
Como um perdido
no deserto.
Que me valem
tantas estantes
A abarrotar de
livros e revistas. Mudos.
Minha aparelhagem
stéreo,
Último grito da
tecnologia…
As resmas de
discos vinil,
Que acabaram por
ser sempre os mesmos….
E as de papel de
máquina
Para neles derramar
meus versos…
E minhas lendas
fantasmagóricas…
Que ninguém lê…
Sem tv nem telemóvel…
Meu frigorífico
vai aquecer,
Com falta da corrente
eléctrica.
E, vai fora
grande parte da comida
Que lá tenho
dentro.
Sinto medo de
sair à rua.
Nada mexe.
Não há carros nem
ambulâncias.
Ainda ontem,
Tudo, à volta,
Remexia em
alvoroço.
Bastou uma noite …
E cheguei ao fim
do mundo…
Mafra, 4 de Abril
de 2013
7h46m
Joaquim Luís M.
Mendes Gomes
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