Sinto-me a planar...
Pairando ao vento,
Poalha de neve a cair,
Bailando no ar.
Cubrindo de branco
O chão pardacento.
Tingindo os ramos das árvores,
Com calda de cal.
Ou farinha de pão
Que o moleiro do rio,
Moeu na mó de granito...
Oiço o silêncio,
Gritando alto,
Estou aflito,
Ninguém me acode...
Solto-lhe as amarras,
Minha caravela
Pairando nas nuvens.
Onde os aviões,
Sem velas ou remos,
Por mais que ronquem,
Não conseguem chegar.
Vagueio à deriva.
Olhando para a terra.
Cordilheiras sombrias,
De alcatrão.
Só me chegam os gritos
De gente aflita,
Quase afogando,
Nas ondas do mar.
Minha caravela
De asas ao vento,
Voga à deriva,
À sombra do vento.
Não vejo faróis.
Miro as estrelas,
Que cuidam de mim...
Ó que saudades de Portugal!...
Berlim, 27 de Janeiro, 2014
Cinco graus negativos
Joaquim Luís Mendes Gomes
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