Monday, January 27, 2014

sinto-me a planar...


Sinto-me a planar...

Pairando ao vento,
Poalha de neve a cair,
Bailando no ar.

Cubrindo de branco
O chão pardacento.
Tingindo os ramos das árvores,
Com calda de cal.

Ou farinha de pão
Que o moleiro do rio,
Moeu na mó de granito...

Oiço o silêncio,
Gritando alto,
Estou aflito,
Ninguém me acode...

Solto-lhe as amarras,
Minha caravela
Pairando nas nuvens.

Onde os aviões,
Sem velas ou remos,
Por mais que ronquem,
Não conseguem chegar.

Vagueio à deriva.
Olhando para a terra.
Cordilheiras sombrias,
De alcatrão.

Só me chegam os gritos
De gente aflita,
Quase afogando,
Nas ondas do mar.

Minha caravela
De asas ao vento,
Voga à deriva,
À sombra do vento.
Não vejo faróis.
 Miro as estrelas,
Que cuidam de mim...
Ó que saudades de Portugal!...

Berlim, 27 de Janeiro, 2014
Cinco graus negativos

Joaquim Luís Mendes Gomes




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