Friday, May 04, 2007

Os padres casados?...Porque não?...


Como dizia o outro: " eu sou do tempo"...em que se era quase excomungado se ousasse discutir este tema em público e às claras!...

O celibato era indiscutível...era impensável pensar doutra maneira...seria uma catástrofe imaginar que os padres pudessem casar e serem sacerdotes ao mesmo tempo...era o mesmo que tentar juntar o azeite e o vinagre.

Os padres...devem ser castos...logo, não podem nem devem casar, porque o casamento, lá no fundo, era qualquer coisa de impuro, por natureza!...o casamento "distraía" o padre do serviço da igreja...roubava-lhe disponibilidade...complicava-lhe a vida...e por aí fora.

Porquê? Porque se construiu a ideia de que ser sacerdote era uma missão transcendente à normalidade das coisas reais...era assim como um bombeiro sempre em acção, pronto a a apagar fogos...ou um soldado sempre em guerra...para quem a família só estorva...

Ou seja: onde deveria imperar a normalidade da natureza, tal como foi criada, erigiu-se uma "ideia-força" como uma realidade incontornável e...implantou-se "de estaca"...na terra.
Claro que essa planta artificial pegou e ao cabo de séculos...impôs-se como não podendo deixar de ser assim. Ser padre...é igual... a ser celibatário.

Ora, sabemos que as coisas não tiveram o mesmo desenvolvimento na Igreja do Oriente.

Aí, manteve-se aquilo que brota da natureza das coisas. É como casado que o sacerdote exerce o seu múnus...em toda a sua extensão. E mais. Enriquecido pela riqueza do casamento. Com uma família à sua volta e na sua dependência.

O resultado é de perfeita harmonia e conjugação. O padre não vive numa estratoesfera...não perde o sentido das realidades...não se estonteia com as alturas como infelizmente vemos como foi, no passado, e muito ainda, no presente.

O apregoado "trunfo" do celibato não tem razão de ser, como condição sine qua non...
Com o tempo, lentamente, tudo entraria na normalidade se aquele deixasse de ser imposto...

Acho que seria uma "revolução" pacífica e muito frutuosa...para a Igreja. E é por aí que a Igreja deve seguir...

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