Palácio da mentira...
Enganei-me no número da porta.
Entrei.
Amplas salas iluminadas.
Cadeirões de damasco.
Imponentes candelabros pendentes.
Galerias de escadórios em mogno.
Balaústres e alabastro,
Cicerones de fraque,
Engravatados.
Uma longa mesa oval,
Cercada de cadeiras de bilros,
Em verdadeiro mogno,
Carregada de faiança alegre
E talheres de prata.
Muitas mulheres, pintadas,
Com sorrisos falsos
E largos decotes.
Elegantes cavalheiros,
Com luzidias cabeleiras,
E de luvas brancas.
Ladinos olhares gulosos
Cruzavam no ar,
Se cobiçavam todos,
Em bancarrota.
Uma orquestra opaca
Tocava Bach e Rossini...
Para enganar a praça.
À hora marcada,
Apareceu ao cimo,
O dono da festa...
Era um banqueiro,
Com sua dama,
De bigode farto,
Grande barriga,
Cheio de nota...
Dono dum banco,
Amigaço do rei,
Que fazia a lei,
Entregue à tropa...
Berlim, 20 de Novembro de 2013
16h26m
Joaquim Luís Mendes Gomes
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