Wednesday, November 20, 2013

palácio da mentira...


Palácio da mentira...

 

Enganei-me no número da porta.

Entrei.

Amplas salas iluminadas.

Cadeirões de damasco.

Imponentes candelabros pendentes.

 

Galerias de escadórios em mogno.

 

Balaústres e alabastro,

Cicerones de fraque,

Engravatados.

 

Uma longa mesa oval,

Cercada de cadeiras de bilros,

Em verdadeiro mogno,

Carregada de faiança alegre

E talheres de prata.

 

Muitas mulheres, pintadas,

Com sorrisos falsos

E largos decotes.

 

Elegantes cavalheiros,

Com luzidias cabeleiras,

E de luvas brancas.

Ladinos olhares gulosos

Cruzavam no ar,

Se cobiçavam todos,

Em bancarrota.

 

Uma orquestra opaca

Tocava Bach e Rossini...

Para enganar a praça.

 

À hora marcada,

Apareceu ao cimo,

O dono da festa...

Era um banqueiro,

Com sua dama,

De bigode farto,

Grande barriga,

Cheio de nota...

Dono dum banco,

Amigaço do rei,

Que fazia a lei,

Entregue à tropa...

 

Berlim, 20 de Novembro de 2013

16h26m

Joaquim Luís Mendes Gomes

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