Telhados negros...
Há festa grande,
Por debaixo dos telhados negros.
No meio da encosta,
Coberta de neve.
Ardem lareiras,
A arder,
De cavacos secos.
Não soltam fumo.
Há toalhas lavadas,
Estendidas na mesa.
Muitas cadeiras.
Frente aos talheres.
Juntinho aos pratos.
Brilham os olhos
Da família feliz.
No forno em brasa,
Se tosta um cabrito.
Com tachos de barro,
Cheios de arroz.
Batatas sem casca.
Chegam da adega,
Muitas garrafas,
Com teias de aranha.
Canecas de barro.
Há correrias,
Dos netos que brincam.
Desde manhã,
A avó, ainda muito bem conservada,
De lindos cabelos grisalhos,
Como abelha-mestra,
Não parou a cirandar...
E no cadeirão de madeira,
Bem almofadado,
Frente à lareira,
Se senta o avô,
Com seu bigode,
Fumando cachimbo.
Uísque na mão.
Está sorridente,
Como nunca se viu.
Há um neto presente
Que veio da guerra...
Berlim, 16 de Novembro de 2013
17h2m
Joaquim Luís Mendes Gomes
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