Não sei que trago em mim,
Que me faz fugir,
Sem ter de
quê.
Vou pesado…
Carrego a Terra toda,
Sobre a minha cabeça.
Não sei porquê…
Se calhar foi daquele dia
Em que bati a porta,
Com a gana toda
E me fui embora…
Lá muito atrás…
No raiar da vida.
O melhor pedaço dela
Ficou lá dentro,
Devorado naquela clausura
Sinistra de convento…oculto
Onde reinavam feras
Sob batinas mansas…
Vomitando promessas falsas
E só bebiam água benta.
Foi há tanto!...Já nem me lembro.
Saí flor
silvestre…
Um rebento tenro…
Daquele monte ao vento,
Onde reinava o sol
E o luar da lua,
Sob um céu estrelado.
Meteram-me num vaso
De argila podre,
A abarrotar de estrume.
Fiquei mirradinho.
Quase morri.
Porque, em vez de sol,
Em nome de Deus…
Só chuva de incenso
E cinza.
Ovar, 12 de Setembro de 2012
10h34m
Joaquim Luís M. Mendes Gomes
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