Thursday, September 27, 2012


Não sei que trago em mim,

Que me faz fugir,

 Sem ter de quê.

 

Vou pesado…

Carrego a Terra toda,

Sobre a minha cabeça.

Não sei porquê…

 

Se calhar foi daquele dia

Em que bati a porta,

Com a gana toda

E me fui embora…

Lá muito atrás…

No raiar da vida.

 

O melhor pedaço dela

Ficou lá dentro,

Devorado naquela clausura

Sinistra de convento…oculto

Onde reinavam feras

Sob batinas mansas…

Vomitando promessas falsas

E só bebiam água benta.

 

Foi há tanto!...Já nem me lembro.

 

Saí  flor silvestre…

Um rebento tenro…

Daquele monte ao vento,

Onde reinava o sol

E o luar da lua,

Sob um céu estrelado.

 

Meteram-me num vaso

De argila podre,

A abarrotar de estrume.

 

Fiquei mirradinho.

Quase morri.

 

Porque, em vez de sol,

Em nome de Deus…

Só chuva de incenso

E cinza.

 

Ovar, 12 de Setembro de 2012

10h34m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

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